Vivendo a solitude

sábado, abril 07, 2018



A frase que regeu minha vida longos anos: Eu odeio ficar sozinha!
Não era sobre um relacionamento amoroso, mas sim, sobre não ter alguma companhia.
(Solitude é o estado de privacidade de uma pessoa, não significando, propriamente, estado de solidão)

Meu sonho de infância era ter um quarto só meu, que eu pudesse decorar do meu jeito, ouvir minhas músicas, estudar, fechar a porta e ficar em paz... Não, espera, essa parte era o pesadelo.
Mesmo tendo o próprio quarto, consegui dormir sozinha apenas quando estava prestes a completar 16 anos, onde entrei naquela fase mais independente de trabalho, e o sono acabava chegando pelo cansaço, não dava muito tempo de pensar e ficar olhando para as paredes.
Eu carregava isso comigo, esse medo e a angustia de me sentir só. Por conta disso, acabava colocando pessoas, coisas na minha vida para ocupar um espaço que deveria ser só meu, achando que iria me preencher e acabar com esse sentimento vazio.

Ao invés de descobrir pelo amor, descobri pela dor que ninguém pode ser tão boa companhia quanto nós mesmos. Descobri que a solidão é dependência, já a solitude é independência!

Depois de uma grande desilusão, precisei amargamente aprender, como aceitar meus monstros internos e a curtir minha própria companhia.
Pensei que não fosse suportar, quando chorava de vontade de ver um filme bacana mas não tinha com quem assistir, quando sentia fome, mas não achava motivo para fazer comida só pra mim – só eu vou comer.  Era angustiante encarar os espelhos, as paredes e ter a sensação de estar ouvindo "você está sozinha". Chega a me arrepiar só de lembrar o quão triste era.
Mas essa dor foi extremamente necessária pra entender, que estar sozinha não é sinônimo de solidão, me redescobri.

O silêncio externo é bom, mas o interno é ainda mais precioso. Ter o prazer de chegar em casa, escolher um filme e poder prestar atenção nele todo, sem interrupções.
Comer a hora que sentir vontade, poder ficar de toalha dançando até tomar coragem pra escolher uma roupa ou secar o cabelo. Poder recusar convites de ir pra certos lugares cheios de pessoas vazias, mesmo tendo que fingir ter algo marcado na agenda, mas você sabe que vai ficar em casa "fazendo um monte de nada". Hoje eu chamo isso de liberdade, de autoconhecimento.

Não é meu objetivo desdenhar a coletividade. Afinal, não há dúvidas de que somos seres sociais e que é sempre bom termos com quem compartilhar nossos momentos. A questão é que temos de aprender que a felicidade precisa preencher nosso interior para se externar, e que para isso, precisamos estar em dia com a nossa individualidade.
Agora quando estou com alguém sou feliz, me divirto; consigo somar e não apenas estar por estar; desfrutar saudavelmente do momento. É algo desafiador, mas, quando estou no silêncio do meu quarto, eu aproveito muito mais. Coloco meus pensamentos no lugar, deixo a razão e a emoção em equilíbrio. Em tempos de desapego, quem tem a si, tem tudo!

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